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Localização geográfica:
Europa Central Outras
cidades importantes: Debrecen, Miskolc, Pécs e
Szeged
Data de independência:
1989
Religiões maioritárias:
Catolicismo e Protestantismo |
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Geografia
República da
Europa
Central, faz fronteira com a
Eslováquia
a norte, com a
Ucrânia e a
Roménia
a leste, com a
Eslovénia, a
Croácia
e a Jugoslávia a sul, e a
Áustria
a oeste. Tem uma área de 93 032 km2. A capital da Hungria é
Budapeste,
onde vive cerca de 21% da população.
Distinguem-se quatro regiões na Hungria:
a Grande Planície Húngara, situada no sul e leste do país,
ocupando mais de metade do território; a Pequena Planície
Húngara, situada no noroeste; o sistema montanhoso conhecido
por Transdanúbia, com altitudes compreendidas entre os 400 e
os 700 metros, separando as duas planícies húngaras; e as
Montanhas do Norte, de características vulcânicas, que
integram o sistema montanhoso de nome Mátra onde se encontra
o ponto mais alto da Hungria, o Monte Kékes, com
1 015 metros.
Os recursos hidrográficos são vastos,
sendo os maiores rios o
Danúbio
e o Tisza, que percorrem o país de norte a sul,
destacando-se, também, a existência de um dos maiores lagos
da Europa,
o Lago Balaton, com 598 km2.
Clima
O clima da Hungria é continental e
moderadamente seco, com um nível de precipitação média anual
de 550 a 600 mm nas terras baixas e de 600 a 800 mm nas
terras altas, enquanto que a temperatura varia de -4o C a 0o
C em Janeiro e de 18o C a 23o C em Julho.
Economia
A Hungria tem na bauxite, no carvão e no
manganésio os principais recursos minerais, contando também
com quantidades substanciais de chumbo, zinco e cobre. Nos
últimos anos, têm sido descobertas na Hungria áreas
consideráveis de petróleo, gás natural e urânio, alterando o
panorama húngaro quanto a recursos energéticos, até então
tido como pobre.
Até 1989, a Hungria teve uma economia
socialista, planeada e dominada pelo Estado, caracterizada
pela estagnação, pela inflação galopante e pela descida do
rendimento per capita. Com o desmoronamento do bloco de
leste, a Hungria abriu caminho em direcção à liberalização
da economia, facto que não constituía novidade para o país,
já que, entre 1968 e 1973, vigorou o Novo Mecanismo
Económico (NEM), um programa de reformas económicas que
passava pela abolição das directivas estatais em detrimento
das decisões e iniciativas privadas, pelo nivelamento dos
preços em relação aos custos de produção e atribuição de
bónus a trabalhadores e gerentes em conformidade com os
lucros obtidos. Mas a reforma do fim da década de oitenta
foi mais longe, ao definir, não só a eliminação de empresas
estatais que se encontravam em processo de bancarrota, como
também a não atribuição de qualquer apoio ou subsídio a
empresas privadas em situação similar. Estas medidas
favoreceram o sector industrial, o de maior peso na economia
(representa 33% do PIB, e emprega 1/3 da mão-de-obra), pois
permitiu uma reestruturação selectiva das indústrias,
orientando-as para a produção de bens com procura garantida
no mercado, especialmente as construções mecânicas dirigidas
à exportação. Os produtos industriais mais importantes são o
cimento, o aço em bruto e o aço laminado, fertilizantes,
têxteis e vestuário, artigos electrónicos (televisão e
rádio), locomotivas e autocarros.
Apesar de a importância da agricultura
ter decrescido dentro do quadro económico húngaro (7% do PIB),
a verdade é que este país é auto-suficiente no que se refere
à produção de bens agrícolas, chegando mesmo a exportar
vários desses produtos. Destes destacam-se o milho, o trigo,
a beterraba, a cevada e a batata. Em 1993, 94 e 95 a seca
afectou bastante a agricultura, mas os rebanhos aumentaram,
o que traduz um certo êxito das reformas implementadas.
Quanto ao sector terciário, verifica-se
que o sistema financeiro continua sob o controlo estatal,
apesar de haver, actualmente, uma gradual divisão das
actividades financeiras com os bancos privados. Há que
realçar a importância do turismo na obtenção de divisas
estrangeiras, devendo parte do seu desenvolvimento às
excelentes estruturas de comunicação (estradas, caminhos-de-
ferro e transportes aéreos).
População
Tem uma população de 10 208 127
habitantes, o que corresponde a uma densidade populacional
de 110,0 hab./km2.Tal como em muitos outros países europeus,
a população húngara tem tendência para diminuir, facto que
se vem registando desde a década de oitenta. Estima-se que,
em 2025, a população seja apenas de 9,4 milhões de
habitantes, dado que se prevê que a taxa de mortalidade
(14,6o/oo) que aumentou nos últimos anos, continue a ser
superior à taxa de natalidade (11,7o/oo).
O povo húngaro, vulgarmente designado por
magiar (nome também atribuído à língua húngara), é bastante
homogéneo, sendo muito difícil distinguir qualquer subgrupo.
Constitui 97% do total da população, sendo os restantes 3%
compostos por ciganos, alemães, eslovacos, sérvios, croatas
e romenos.
Arte e Cultura
A Hungria - nomeadamente a sua capital,
Budapeste
- é famosa pela intensa actividade cultural, fruto do enorme
investimento estatal nesta matéria que cria excelentes
condições de trabalho para os vários artistas. Assim se
compreende o elevado número de tantos artistas húngaros de
renome internacional, como
Béla Bartók,
Zoltán Kodály ou Kálmán Mikszáth.
História
A Hungria tem as suas raízes históricas
na ocupação das margens do Rio
Danúbio
pelo povo magiar nos finais do século IX, terras essas que
tinham sido ocupadas pelos romanos (ano 14 a. C. - século IV
d. C.), pelos germanos (século V), pelos avaros (séculos
VI-VIII) e pelo império de
Carlos Magno
(século IX). Nos finais do século X, os magiares adoptam o
Cristianismo
como religião, iniciando, ao mesmo tempo, a estruturação de
um reino forte e independente; e, no século XII, a Hungria
era o principal Estado da
Europa
centro-leste. Contudo, em 1241, dá-se o início do fim da
Hungria como reino independente, através da grande invasão
mongol, que dizimou metade da população húngara e deixou um
rasto de completa destruição. Após esta invasão, a Hungria
mergulhou num período de instabilidade interna, culminando
no desaparecimento da dinastia régia Arpad, em 1301. A
partir desta data, a Hungria passou a ser dominada pela casa
real de Nápoles e, após as invasões dos turcos otomanos
iniciadas no século XIV, a Hungria foi dividida, em 1568, em
três partes: uma faixa estreita a ocidente passou para o
domínio dos Habsburgos da
Áustria
(que acabariam por dominar toda a Hungria nos finais do
século XVII); a leste, a Transilvânia ganhou o estatuto de
autonomia sob a soberania dos turcos; e a parte central
passou para o domínio directo dos turcos.
Em 1848 ocorre uma revolução liderada por
intelectuais húngaros com o objectivo de obter a
independência da Hungria, causada não só pelo
descontentamento social provocado pela política despótica
dos austríacos, como também pelos constantes conflitos
étnicos existentes entre os magiares e as outras etnias
presentes no território, como os romenos, os eslovacos, os
sérvios e os croatas. Na sequência desta revolução formou-se
em 1867 o império austro-húngaro, sob o qual a Hungria gozou
de maior independência interna, embora não a suficiente para
alguns sectores da sociedade representados no parlamento, o
que causou várias situações de instabilidade política. Este
império dissolveu-se com o fim da
Primeira Guerra Mundial
- durante a qual manteve uma aliança com a
Alemanha
-, sendo o território húngaro dividido, sob o Tratado de
Trianon (4 de Junho de 1920) entre a
Roménia,
a Checoslováquia,
a Jugoslávia, a
Áustria, a
Polónia
e a Itália,
ficando a Hungria com praticamente a área que possui nos
nossos dias. Este desmembramento foi acompanhado por um
período de grande instabilidade e ruptura social, política e
económica, cuja causas se encontram na ocupação da Hungria
pelo exército romeno e na tentativa falhada dos bolcheviques
húngaros em conquistarem o poder. Toda esta conjuntura
deixou feridas profundas na sociedade húngara, o que, junto
com uma reconstrução nacional que se mostrou difícil e
demorada, veio a contribuir para um largo crescimento dos
movimentos radicais de direita. Tal facto esteve na origem
da aliança entre a Hungria e a
Alemanha
de Hitler,
através da qual viam a oportunidade de recuperar as áreas
perdidas com o Tratado de Trianon. Com o decorrer da guerra,
a Hungria foi-se envolvendo cada vez mais no conflito,
sobretudo na frente leste, onde se opunham as forças alemãs
às soviéticas, contando para isso com o apoio da maioria dos
húngaros, que guardavam na memória a má experiência
bolchevique ocorrida em finais da década de vinte. No
entanto, a União
Soviética revelou-se mais forte,
fazendo retroceder gradualmente as forças germano-húngaras
até as expulsarem da Hungria em 4 de Abril de 1945. A partir
de então, a presença das forças soviéticas abriu caminho à
implantação de um regime comunista, numa primeira fase de
uma forma discreta, tornando-se depois mais concreta e
efectiva em 1949, com a declaração da República Popular da
Hungria, processo este que nem a revolução de 1956 conseguiu
impedir. Neste ano subiu ao poder János Kádár que, embora
comunista, conseguiu implementar ao nível da economia e da
cultura políticas com algumas características liberais,
tornando assim a Hungria no país pró-soviético mais
tolerante.
Com o fim do comunismo na
União Soviética
e o seu consequente desmembramento em 1989, a Hungria
aproveitou a oportunidade para se libertar daquela
ideologia, iniciando um processo de democratização
fundamentado na revisão da Constituição, na qual se
estabeleceu a divisão dos poderes (legislativo, judicial e
executivo), a implantação de um sistema político
multipartidário e o consequente abandono do termo "popular"
na designação do país. As eleições de 1990 levam ao poder
uma coligação de partidos formada pelo Fórum Democrata
Húngaro, pelo Partido dos Proprietários Independentes e pelo
Partido Democrata Cristão, e chefiada pelo líder do Fórum,
József Antall. Deu-se então início à execução de reformas
económicas com vista a aproximar a Hungria dos níveis de
vida dos países da
Europa
ocidental. Contudo, o governo revelou-se impotente para
levar a cabo tais reformas, o que resultou numa pesada
derrota para os partidos da coligação (principalmente o
Fórum) nas eleições gerais de 1994, que deram uma larga
vitória ao Partido Socialista Húngaro (54% dos votos), foi
formado por ex-membros do Partido Comunista. No entanto,
para evitar qualquer desconfiança ou receio, quer por parte
dos húngaros, quer por parte da comunidade internacional, o
PSH estabeleceu um acordo com a Aliança dos Democratas
Livres (18% dos votos) com vista à formação de um governo de
coligação sob a liderança do socialista Gyula Horn. Este
governo tem tentado, desde então, tornar as reformas
económicas mais efectivas, tendo dado ao mesmo tempo início
a um processo de revisão constitucional para, num prazo de
dois anos, ser aprovada uma nova Constituição. |